segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Honestamente, você entendeu tudo errado.


Algumas semanas atrás eu estava conversando com uma amiga. Ela então me disse que estava frustrada consigo mesma por ter chegado a conclusão de que não consegue aceitar as pessoas como elas são. Eu imagino que não seja uma reflexão comum. Não creio que muitos tenham usado seu tempo pensando nisso de maneira séria como ela havia feito. Parece mais o tipo de hipocrisia que cantamos em músicas, escrevemos em nossos poemas e cobramos das pessoas. Somos nós, seres humanos, capazes de aceitar uns aos outros assim? Essa pergunta ecoou pela minha cabeça como se fizesse parte de mim desde o começo. E não fazia.

Minha resposta apareceu poucos dias depois em uma das minhas frenéticas atualizações de página no Facebook. Uma imagem com a frase "Se o mundo fosse cego, quantas pessoas você impressionaria?" escrita em um muro. Vi algumas pessoas compartilhando a imagem concordando com a ideia. Pessoas que eu conheço o suficiente pra saber que só conseguem ser impressionadas pelo que seus olhos veem e nada mais. Talvez até orgulhosas de terem a chance de escapar da lista nem um pouco seleta de pessoas superficiais. É uma lista quase tão abrangente quanto a própria humanidade. Porém, não foram os primeiros e nem serão os últimos a compartilhar textos e imagens que não condizem exatamente com as próprias atitudes e modo de pensar. Todos nós fazemos isso. Mas esse é um assunto pra outro momento.

À primeira vista era apenas uma publicação típica de rede social. Uma dessas que nos fazem parar pra pensar, mesmo que por apenas um minuto. Ainda assim havia algo naquela frase que me incomodava. Após repeti-la muitas vezes em voz baixa tive a certeza de que havia encontrado uma resposta pra pergunta que me assombrava. Eu percebi que por trás da idealização de um mundo no qual a única opção seria valorizar o interior das pessoas, caráter e personalidade havia a permanência da necessidade de impressionar. Inabalável. Insubstituível. De certo modo a frase não serve ao seu próprio propósito.

Não somos capazes de aceitar uns aos outros dessa maneira. Todos nós desejamos a aceitação e a compreensão. Todos. Ainda assim, na maioria das vezes, só aceitamos as pessoas quando elas agem de acordo com o que esperamos que elas sejam. Caso contrário, não seríamos tão apegados a ideia de impressionar e sermos impressionados. Provavelmente isso não existiria. Toda forma de ser e agir seria válida e admirável. Talvez esse seja o mais perto que podemos chegar da perfeição. Não que isso seja agradável. Não vejo possibilidade de mágoa ou de amor em um mundo assim. A perfeição é uma ideia tão estática que acabaríamos por não aceita-la também. Achamos que sabemos de tudo. E muitas vezes não reconhecer a própria ignorância nos impede de nos colocar no lugar dos outros. Nós somos realmente impressionantes.

Sejam todos mais que bem vindos à minha Amarga Empatia.


3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. As pessoas são impressionantes mesmo. E você me impressiona da forma mais natural e não-proposital possível. E eu diria que melhor não poderia ser. Gostei muito do que você escreveu e vou estar sempre por aqui pra ler mais e mais.
    Congrats, Cecelo!

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  3. Quanto ao terceiro parágrafo, honestamente? Vc entendeu tudo errado.
    Não há a necessidade de impressionar, o(a) autor(a) da frase apenas levanta uma questão, em um mundo marcado pela superficialidade e a exterioridade, se todos fossem cegos, qntas pessoas vc impressionaria? A pergunta é: sem aparências, apenas com o seu jeito de ser, qntas pessoas vc iria cativar? Em nenhum momento vc sente q a frase transmite essa tal necessidade de impressionar.
    Acho q não consegui expressar direito meu ponto de vista, mas já são 5 e meia da manhã e nem dormi ainda.
    Enfim, creio q se o mundo de fato fosse cego, vc impressionaria mtas pessoas.

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