Eu acredito que a sensação de maior liberdade possível está contida nos longos segundos que se passam entre o momento em que você pula de um prédio e o momento do impacto. Esses segundos estão amaldiçoados com a certeza de que a morte é inevitável. Não que isso não seja de conhecimento comum, porém a maioria só aceitaria a morte depois de conquistar certas coisas. Objetivos. Sonhos. Luxos. Afins. E quando alguém decide ficar cara a cara com essa certeza, não está buscando conquistar ou ganhar nada, apenas perder. Uma tormenta. Um pensamento. Uma noite de sono. Um dia seguinte.
Essas não são últimas palavras. Na verdade, são as primeiras de muitas que precisam ser ditas. Por aqueles que vivem sufocados. Aqueles que sobrevivem silenciados. Assombrados. Condenados. Esmagados por uma força mais absoluta que a própria gravidade. Refletidos em espelhos rachados.
A falta dessa liberdade nos transborda.

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