Querida Natasha, eu sei que nem todos querem ou conseguem sentir a sua doçura em todos os sabores possíveis. Limão. Uva. Morango. Ou o que for, porque você cai bem com todos eles. Muitas pessoas preferem a companhia daquele cara... Como é mesmo o nome dele? José? Enfim. Apesar dele fazer as pessoas viverem a vida mais "intensamente", eu sou muito mais você. Até porque viver a vida intensamente nunca foi uma das minhas qualidades. Prefiro os estáticos momentos de solidão que dividimos juntos. Ou as noites de sono bem dormidas que você me proporciona.
Esse texto parece uma cópia barata da vida de Bukowski, mas por favor, não me compare com a genialidade e experiência do velho Buk. Estou a um abismo de distância dele em todos os sentidos. Provavelmente ele nunca provou um pouco de Natasha, se não com certeza teria escrito uma poesia pra ela. Um conto, ou quaisquer linhas embriagadas que só ele conseguiria escrever. Minha relação com a Natasha não é doentia como o alcoolismo. Não é letal como uma cirosse. Não é assustadora como um coma alcoólico. Eu diria que é uma relação bem saudável e construtiva. Muitos textos dessa coluna foram escritos com sua presença. Muitas conversas interessantes aconteceram na mesma circunstância. E no fim eu sou apenas um garoto sem noção o suficiente pra escrever um texto desses pra uma garrafa. Imagine se fosse uma mulher. Acho que eu iria merecer pelo menos um deboche do velho Buk depois dessa.

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